Apelidado pela comunidade do Bairro Califórnia como bota fora, terreno causa transtornos para moradores,

pois é usado como depósito de lixo e entulho clandestino, além de servir de atalho para outros locais do bairro

 SAMARA NOGUEIRA,

PERÍODO

 

Na Rua dos Violões, no Bairro Califórnia, existe um lote conhecido como bota fora que tem causado transtorno à população que além do mau cheiro, enfrenta dificuldades de locomoção, já que o local é utilizado como atalho para outros locais do bairro. “A gente que mora do lado não importa tanto com entulho não, importa mesmo é com o lixo. Já teve até cavalo morto lá. O cheiro incomoda muito, é muito ruim”, afirma Joseane Galvão. Para o secretário adjunto da Regional Noroeste, Nildo Taroni, Belo Horizonte vive hoje uma situação de epidemia de lotes bota-foras, “Nós vivemos uma epidemia, um problema crônico na cidade que é a questão da deposição clandestina de entulho e lixo”, revela.

Esse problema existe no bairro há 10 anos, sendo que há cinco a associação dos moradores reclama junto à prefeitura à desocupação do lote. “Nós já reclamamos muito com a prefeitura e ela não faz nada, duvido se fosse em um bairro rico se ela já não tinha resolvido. O lixo não é nosso não, são os caminhões de fora que trazem os lixos para cá”, afirma Antonio Guerra , Presidente da Associação dos Moradores do Bairro Califórnia. Júlio César Teixeira, diretor da associação, culpa também os carroceiros pela deposição do lixo. “Os entulhos menores são jogados pelos carroceiros, e os maiores pelos caminhões. Entendo os carroceiros pelo fato disso ser o ganha pão deles, então, acho que a prefeitura deveria arrumar um lugar para eles depositarem o lixo”, diz.

Antonio de Carvalho, 52 anos, morador da Vila Califórnia, e há 40 anos na profissão de carroceiro, diz que utiliza sim o lote por não ter um local oficial dos carroceiros para depositar os entulhos que recolhe. “Eu utilizo esse lote, outros lotes ou jogo nas esquinas, quanto menos eu andar melhor para mim. A prefeitura olha o lado dela e não olha os dos carroceiros, eles querem que a gente pare de jogar lixo, mas não arrumam um lugar oficial para a gente depositar”. Para ele, o lugar ideal seria na rua do antigo aterro sanitário, localizado na rua Violinos com Clarinetas, já que lá existe um pedaço de terreno que sobrou do antigo aterro da prefeitura.

 

SUGESTÕES Teixeira e Guerra acreditam que a solução do problema seria a instalação de URPV (Unidade Recebimento de Pequenos Volumes) e o aumento da fiscalização, já que só a limpeza, segundo eles, nem sempre realizada pela prefeitura, não esta solucionando o problema. “Em três meses, eles vieram aqui só duas vezes, e agora a gente tem mais um problema, que é a deposição de terras por carroceiros e caminhões, e terra a prefeitura não limpa. Colocar só URPV não adianta, tem que ter a fiscalização, porque se não o povo joga fora da caçamba. Há pouco tempo nós tiramos 1800,00 do nosso bolso para a limpeza”, afirma Guerra.

Júlio acredita também que além fiscalização e da URPV a prefeitura poderia instalar um sistema de reciclagem no local, onde as pessoas poderiam direcionar seu lixo. “Só a limpeza não adianta. O terreno é limpo e no outro dia já está tudo cheio novamente, os caminhões vem à noite e enchem tudo de novo. Tem que ter uma ação efetiva da prefeitura, se não tiver vai continuar. Limpa, suja, limpa, suja. O ideal seria criar um local igual da Via Expressa, monitorado pela prefeitura onde já é direcionado o tipo de entulho”.

Entretanto, Taroni descarta a possibilidade de instalação de URPV no local. “Lá não pode ter URPV porque assim como lá precisa de URPV outros lugares precisam também. Não existe programação de instalação de URPV nesse local”, explica o secretário. Taroni também ressalta que boa parte do entulho depositado no lote tem de irpara o aterro sanitário localizado em Sabará e não para unidade de recebimento de Pequenos Volumes. “A URPV é a unidade de recebimento de pequenos volumes como um sofá velho que você tenha em casa ou uma pequena poda que você tiver feito em seu terreno, não é para receber aquele entulho que ta lá aquilo lá tem que ir para aterro sanitário, a única solução para o problema é o aumento da fiscalização”, explica.

Ele acrescenta que ainda o problema com bota fora no Califórnia é maior porque antes o aterro sanitário era localizado no bairro, então as pessoas ainda não se adaptaram a situação. “O problema ali é maior porque nós tínhamos um aterro sanitário lá, então, o pessoal não estava acostumado a ter essa responsabilidade de levar para Sabará onde a distância é muito maior”, ressalta o secretário.

Em relação aos carroceiros, o Secretário Adjunto, deixou claro que a prefeitura entende o problema social que a desocupação de um lote utilizado por eles poderia causar. “O grande problema dos carroceiros é que a URPV não tem a função que eles querem destinar o URPV. Você não pode fazer uma reforma, tirar lá vinte carroças de entulhos e jogar no URPV, não é justo. Para solucionar esse problema a prefeitura esta inclusive estudando uma forma de gerar emprego para esse pessoal, que é quase duzentos na Regional Noroeste”, relembra.

Nos últimos quatro meses, a prefeitura intensificou, segundo Taroni, a fiscalização dos lotes bota fora em Belo Horizonte, e foi montado um mutirão a fim de coibir a ação clandestina que ocorre principalmente durante a noite. Taroni explicou, ainda, que o caso do Califórnia ainda não tenha sido solucionado, por ser demorado, possivelmente ele será nos próximos meses.

O secretário alerta que a população pode ajudar na prevenção e combate do depósito clandestino de lixo e entulhos, denunciando no telefone 156 ou pelo site da prefeitura, http://www.pbh.gov.br. Segundo a assessora de comunicação da prefeitura, Atená Maria de Oliveira, os infratores estão sujeitos a apreensão do veículo e multa de R$ 500,00. “Além de pagarem a multa, eles devem arcar com os custos da apreensão do veículo”, acrescenta ela.